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A importância da empatia no mundo corporativo – Parte 1

A importância da empatia no mundo corporativo.

Parte I – A consciência

“Mulher morre e corpo fica quase três anos esquecido em apartamento de Londres”. O caso, publicado no jornal britânico ‘The Guardian’, informou que a secretária médica Sheila Seleoane (61 anos) foi encontrada morta no início de 2022, em seu apartamento em Londres. Segundo a matéria, Sheila não tinha amigos ou familiares próximos, e não foi procurada – pessoalmente – nem ao parar de pagar aluguel em 2019.

O corpo só foi descoberto depois de um alerta à polícia local sobre danos em uma porta da varanda do apartamento, causados por tempestades. Sem resposta da moradora, as autoridades forçaram a entrada.

O conteúdo da investigação publicada relata que vizinhos haviam reclamado repetidamente do cheiro vindo do apartamento, bem como do aparecimento de larvas e moscas, cujos relatos são de agosto de 2019. Mas a Peabody Trust, associação de habitação sem fins lucrativos que age como gestora do imóvel, ignorou a questão e optou por tentativas de contato que se restringiram a e-mails, mensagens de texto, cartas e ligações telefônicas, a fim de se resguardar apenas quanto aos registros de contato com Seleoane.

Em seu comunicado, publicado pelo jornal britânico, o CEO da Peabody, Ian McDermott, informou que a empresa estava “devastada” com o ocorrido. “Sentimos muito por nossa parte nisso e pedimos desculpas a Sheila, sua família e a todos que vivem em Lord’s Court. Ao agir neste caso, não fizemos a pergunta mais fundamental: Sheila está bem?”

Não é objeto deste artigo criticar as falhas incomuns de todo esse processo. Mas se percebermos com acuidade, o caso de Sheila Seleoane, suscita – no mínimo – discussões sobre o que se deve considerar como tratamento digno a ser dispensado a clientes, colaboradores, vizinhos, familiares ou a simples cidadãos.

Este acontecimento chocante serviu como ponto de partida para a palestra ministrada por Johnny Taylor Jr., Presidente e CEO da SHRM (Society for Humam Resource Management) intitulada “O papel da empatia na liderança”, na maior conferência de liderança do mundo (The Global Leadership Summit), exibida no Brasil em 2023, da qual tive o privilégio de participar. Por meio desta trágica história, Taylor trouxe à tona a reflexão sobre a triste realidade que parece estar tomando conta do mundo: a falta de empatia!

Por causa de sua experiência no mundo corporativo, Taylor explica que a empatia é uma habilidade essencial em qualquer ambiente, especialmente no círculo profissional. Ela se traduz como uma capacidade de observar atentamente e se colocar no lugar do outro, de maneira a compreender o próximo e impulsionar, assim, ações altruístas. Sendo uma ferramenta poderosa para o trabalho em equipe, para o exercício da liderança, para a eficiência da comunicação e para a construção de um mundo melhor.

Pesquisas realizadas com bebês e crianças indicam que as raízes da empatia podem ser identificadas na infância e se desenvolvem até a fase adulta. Aptidões emocionais como identificar, avaliar e expressar sentimentos, adiar a satisfação, controlar impulsos, reduzir tensão, saber a diferença entre sentimentos e ações e aptidões cognitivas como diálogo interior, ler e interpretar indícios sociais, compreender normas de comportamento, compreender perspectivas dos outros, autoconsciência etc. serão praticadas em função da empatia.

O pesquisador Martin Hoffman, psicólogo norte-americano, afirma que a ética encontra suas raízes na empatia. Ele afirma que é o sentir empatia com as vítimas potenciais (aqueles que sofrem, estão em perigo ou que passam por privação), partilhando de sua aflição, que leva as pessoas a agirem para ajudá-las. Além disso, ele afirma que afeto empático leva as pessoas a seguir certos princípios morais. Entretanto, cada vez mais, as atitudes altruístas (gentileza, honestidade, voluntariado, concessão e várias outras), são percebidas como “novidades” e, assim, passam a ser muito admiradas, quando na verdade, deveriam ser comuns ao cotidiano.

O mundo, embora globalizado, também tem sido capaz de nos deixar isolados. O individualismo é uma tendência da sociedade moderna. Além de poder ser caracterizado por aspectos pessoais como a fisiologia do cérebro, temperamento, valores, experiências de vida e até personalidade, também pode ser estimulado pela influência da mídia na promoção do sucesso pessoal e de valores egocêntricos e pelo uso exacerbado de tecnologias e redes sociais que provocam a falta de convívio pessoal e promovem relações superficiais. Outros fatos também explicam o individualismo, como a perduração do isolamento social estimulado pela pandemia, o trabalho virtual, o novo individualismo (conceito pouco conhecido) descrito pela preocupação com  a autorreinvenção e o fascínio pela rapidez, como também a racionalização de condutas que é uma tendência (infeliz?) da sociedade moderna, entendida como um mecanismo de defesa que consiste em criar explicações lógicas para justificar um comportamento ou sentimento que é difícil de aceitar, enfraquecendo o poder de coerção da sociedade sobre o indivíduo.

“A empatia é alimentada pelo autoconhecimento, quanto mais conscientes estivermos acerca de nossas próprias emoções, mais facilmente poderemos entender o sentimento alheio. A incapacidade de registrar os sentimentos de outrem significa que existe um grande déficit de inteligência emocional e uma trágica falha no entendimento do que significa ser humano. Pois todo relacionamento, que é a raiz do envolvimento, vem de uma sintonia emocional, da capacidade de empatia. Essa capacidade – de saber como o outro se sente – entra em jogo em vários aspectos da vida, quer nas práticas comerciais, na administração no namoro e na paternidade, no sermos piedosos e na ação política. A falta de empatia também é reveladora. (…)”.

Daniel Goleman, ph.D., psicólogo formado em Harvard em seu livro ‘Inteligência Emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente’.

A empatia é o ponto central na construção de nossas conexões, na construção de nossa confiança um no outro e na construção de um mundo melhor à nossa volta. Os locais de trabalho empáticos são melhores porque refletem-se em ambientes propícios para a criatividade, desenvolvimento, produtividade e gestão eficaz de emoções e conflitos.

Agora que você já tomou consciência da importância do tema, vamos refletir sobre os efeitos negativos de ausência de empatia. A parte II desse texto espera por sua leitura!

Escrito por
Mitzi Peres

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